quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ser ecumênico porque Jesus pediu


Uma das primeiras perguntas que nos fazem quando abordamos o ecumenismo é: por que deveríamos ser ecumênicos? Vamos conversar aqui sobre várias possíveis respostas a essa questão. Mas a primeira resposta, a mais decisiva, teria que ser: seremos ecumênicos porque temos que atender a um pedido importante de Jesus. Nada pode ser mais motivador do que isso. Nas  Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora  da Igreja no Brasil (2011-2015) , a CNBB começa a enunciar assim o grande objetivo geral: Evangelizar a partir de Jesus Cristo...  Evangelizamos, fazemos catequese, antes de mais nada, a partir do que esse insuperável Mestre ensinou, pediu, testemunhou. E isso vale para todas as Igrejas, nenhuma delas poderia achar estranha essa prioridade.

É por isso também que o primeiro lema de todo o movimento ecumênico, a frase básica que orienta tudo, é o que vemos Jesus pedindo ao Pai, no evangelho de João: “ Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste. ” Jo 17,21  

Gostaria de destacar dois elementos que nos vêm desse texto bíblico. O primeiro é a situação especial em que Jesus faz essa oração ao Pai. Ele está chegando ao final de sua caminhada de pregador do Reino, está à beira do desfecho doloroso da paixão. Então, podemos ver essa prece como uma espécie de testamento, de último legado, de recado final para os que continuarão a missão depois que Jesus voltar para o Pai. Pensemos no que acontece em situações assim. Quem deixa suas últimas vontades não se fixa em detalhes sem importância, vai ao essencial, ao que está muito marcado no seu coração. Assim, podemos entender que esse não é um pedido qualquer, é algo que o próprio Jesus quer deixar ao mundo como sinal de sua passagem pela terra, é um comportamento essencial através do qual ele quer que seus seguidores sejam identificados. E o que ele escolhe pedir nessa hora? Ele entrega ao Pai os seus discípulos, mas vai além: “Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela palavra deles (ou seja: por todos nós)” Jo 17,20. Estamos incluídos nessa prece. Como vamos responder a ela? Como vamos preparar outros para atender a esse pedido?  Dá para “esquecer” essa súplica e cuidar só do nosso jeito de ser Igreja?  È bom perceber que esse pedido vale tanto para o diálogo com cristãos de outras Igrejas como para o que gosto de chamar de “ecumenismo interno”, que seria a unidade na diversidade funcionando também dentro da nossa Igreja, sem pastorais e espiritualidades que funcionem como gavetas incomunicáveis.    

  O segundo elemento sobre o qual vale muito a pena refletir é o motivo que Jesus dá para esse pedido de unidade: seus seguidores precisam viver a unidade “para que o mundo creia”. Foi essa unidade que fez muitos acreditarem nas primeiras comunidades. O “vede como eles se amam” era um grande motivo de atração. Hoje, quando a catequese se depara com uma mudança de época, quando não é mais socialmente pressuposta uma identidade católica ou cristã, cada catequizando – de qualquer idade – precisa ser conquistado através de uma experiência gratificante, que apresente também uma boa imagem da Igreja. E que imagem passamos quando cristãos se enfrentam como competidores? Certa vez, uma pessoa que não era ligada à Igreja, vendo católicos e evangélicos falando mal uns dos outros, me fez o seguinte comentário: Parecem donos de supermercado disputando freguês... E aí eu me lembrei de uma frase dos meus livros de pedagogia: “quando João fala de Pedro, ficamos sabendo mais sobre o João do que sobre Pedro”. Quando uma Igreja fala mal da outra, não ficamos sabendo muito sobre a outra, mas ficamos com a nítida impressão de que essa Igreja que fala é um pouco antipática, não se mostra capaz de diálogo...  Então, nada de ter medo de ver o que outros cristãos têm de bom!  Juntos passamos uma imagem melhor de nós mesmos e de tudo o que Jesus ensinou.  E isso é ou não é um grande objetivo para a catequese?

Therezinha Cruz

Anunciar e dialogar


Acho interessante perceber que, entre os documentos oficiais da nossa Igreja que não tratam especificamente de ecumenismo e diálogo inter-religioso, os que mais dedicam parágrafos a esse tema são exatamente os que se relacionam com o trabalho missionário.

Pensando bem, é natural que seja assim. Afinal, uma das primeiras perguntas que as pessoas fazem diante da proposta de diálogo inter-religioso diz respeito à necessidade do anúncio da nossa identidade de fé. As pessoas indagam: Vamos dialogar e respeitar a crença dos outros? Então como fica a Verdade em que acreditamos? Vamos ter que relativizar tudo? 

Nossa Igreja nunca deixou de afirmar que Jesus é a revelação plena de Deus, a máxima manifestação do Amor que o Criador tem por nós, a melhor notícia que se pode dar á humanidade. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. É o Salvador de todos, porque foi nele que se manifestou de maneira mais completa o amor desse Deus que não desiste de nós. Até por uma questão de amor ao próximo, não estamos dispensados de anunciar a todos o amor que Deus manifestou em Jesus.

Mas isso não significa menosprezar as experiências religiosas de outros porque elas podem ser também meios de realizar a vontade de Deus. No documento Diálogo e Anúncio, do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, nossa Igreja nos diz:

É através da prática daquilo que é bom nas suas próprias tradições religiosas, e segundo os ditames de sua consciência, que os membros das outras religiões respondem afirmativamente ao convite de Deus e recebem a salvação em Jesus Cristo, mesmo se não o reconhecem como o seu Salvador, DA 29  

Vamos perceber bem o que diz o texto acima. A salvação vem sempre de Jesus, não há outro salvador. Ele é o Salvador de todos, porque o que salva é o amor de Deus, do qual ele é plena manifestação. Mas esse Deus está presente na consciência das pessoas que querem fazer o bem e essa consciência voltada para o bem pode ser também alimentada pelo que há de melhor em outras tradições religiosas. A salvação dessas pessoas está incluída na salvação que Jesus veio trazer.

Isso leva a um respeito pelo melhor que membros de outras religiões já vivem, mas não dispensa os cristãos de dar testemunho do que descobriram e vivem em Cristo. Afinal, cremos que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens, que nele está a plenitude da revelação. Temos que proclamar isso, principalmente com a nossa vida, o nosso testemunho. Mas isso deve ser feito em clima de respeito pelas outras tradições religiosas, como nos diz o mesmo documento Diálogo e Anúncio: “Os cristãos não devem esquecer que Deus também se manifestou de certo modo aos seguidores de outras tradições religiosas e, por conseguinte, são chamados a considerar as convicções e os valores dos outros com abertura.” DA 48

Evangelização se faz com testemunho, com disposição para servir ao Evangelho ,as também com amor e respeito às tradições religiosas de tantas pessoas e povos que Deus também criou e ama. É nossa obrigação sermos missionários, mas devemos reconhecer que o Espírito chega antes de nós, porque Deus é um Pai que não abandona nenhum de seus filhos.

Therezinha Cruz

Leituras diferentes da mesma Bíblia

           Para nós e para todos os outros cristãos, a Bíblia é um alicerce fundamental. Nessa Palavra nos alimentamos, aprendemos a conhecer Jesus, sua mensagem e sua oferta inestimável de salvação. Igrejas cristãs diferentes podem interpretar, cada uma a seu modo, as mesmas passagens bíblicas.  Algumas divergências, mais conhecidas, podem ser abordadas na catequese, sem intuito de dar argumentos para briga mas como caminho de preparação para o diálogo, evitando “surpresas” que podem desconcertar quem não se sentir preparado para esse tipo de conversa.  Mas, como a Bíblia é  um patrimônio da humanidade, conhecida e comentada até por muitos que não têm fé, temos que educar também para lidar com outros problemas, situações em que o próprio texto bíblico é questionado. É importante fazer isso evitando tanto um tipo de leitura fundamentalista como uma análise fria e teórica do texto que não destaque a importância da mensagem.
            Reconhecemos que podem existir dificuldades na leitura da Palavra de Deus. È uma coleção complexa de escritos nascidos em séculos diferentes e vindos de uma outra cultura. Tem também uma característica especial em relação aos livros sagrados de outras religiões: ela fala de Deus mas o apresenta dentro da história concreta de um povo, vivida em épocas específicas. Foi sendo escrita ao longo de muitos séculos e suas afirmações foram evoluindo conforme o povo ia progredindo no seu jeito de perceber quem era mesmo o Deus que os chamara. Retrata o que Deus quer comunicar mas mostra isso dentro de uma pedagogia que se liga às necessidades progressivas do contexto em que cada parte do Escritura nasceu.
            Por tudo isso, a Bíblia tem que ser compreendida no seu conjunto. Com pouco conhecimento da maneira como cada texto nasceu, corre-se o risco de interpretar a Palavra de um modo não adequado. Então, o livro que devia servir para unir os cristãos pode se transformar em mais uma fonte de desencontro. Isso pode acontecer entre comunidades eclesiais diferentes e dentro da mesma comunidade, quando pessoas escolhem determinados textos para justificar seu ponto de vista, sem uma noção mais ampla do conjunto da mensagem. Não se trata de um livro qualquer, é um texto sagrado, visto com reverência; por isso, pessoas podem ficar até ofendidas com um modo diferente de interpretar algum dado bíblico, achando que está havendo desrespeito com a Palavra de Deus.
            Isso acontece com freqüência quando alguém se refere a alguma passagem bíblica e diz: isso que está aqui não aconteceu de fato, é poesia, linguagem simbólica... Quem ouve acha que a pessoa está chamando a Bíblia de mentirosa e sai indignada em defesa da sua fé. Quem quer explicar o valor simbólico, poético, de certos relatos bíblicos precisa antes deixar muito bem claro que não está denunciando uma mentira, está anunciando uma verdade mais profunda. Há muitos séculos, Aristóteles já dizia: “A poesia é algo mais filosófico e mais merecedor de séria atenção do que a história porque, enquanto a poesia se ocupa de verdades eternas, a história trata de fatos particulares.”  Ou seja: a poesia é uma linguagem transcendente, a única capaz de dar conta daquilo que vai além da história, que faz parte da indescritível essência humana e divina. Quando dizemos, por exemplo, que os onze primeiros capítulos do Gênesis são simbólicos e não históricos, não estamos diminuindo o valor da mensagem , estamos ampliando. O que ali se narra é o que acontece ainda hoje com todos nós: somos Adão e Eva quando não sabemos conservar o paraíso que a terra devia ser, somos Caim quando não sabemos ser irmãos, somos Noé quando Deus nos chama a construir espaços de salvação diante das ameaças da vida, somos construtores de torres de Babel quando nos desentendemos com os irmãos por causa de nossas vaidades.
Uma interpretação assim vai mais longe, mas precisa ser feita com a reverência que o texto sagrado exige.
            É função importante da catequese apresentar uma interpretação bíblica atualizada, ligada à vida, que destaque a mensagem mais do que os recursos e detalhes da roupagem em que ela foi envolvida. Mas é bom também ajudar a perceber que, com o mesmo texto, Deus pode estar comunicando a cada um aspectos diferentes da mensagem mais ampla. Em qualquer caso, é preciso ter um bom conhecimento da Escritura. Até para dialogar com quem pensa diferente é fundamental se sentir seguro para que a conversa seja tranqüila, respeitosa e realmente construtiva.
 
Therezinha Cruz  

Catequese e pastoral de conjunto

             A catequese é um instrumento fundamental na construção do rosto da Igreja. É o campo específico onde as pessoas aprendem a conhecer melhor o que significa ser cristão e ser Igreja. É também o espaço onde cada um deve poder perceber melhor a identidade católica, ouvindo o que a nossa Igreja pede e sendo estimulado se comportar de maneira coerente com a adesão eclesial que vai marcar seu modo de viver a fé cristã.
            Às vezes ouvimos dizer que a Igreja é, ao mesmo tempo, nossa mãe e nossa filha. Como mãe ela nos educa, nos faz herdeiros de suas características, de sua tradição. Como filha ela acaba recebendo de nós também um jeito de ser: nosso comportamento, nossas atitudes e sentimentos fazem parte do rosto que ela apresentará aos de fora. Podemos torná--la mais bonita ou podemos comprometer sua imagem.
            Um rosto é formado por um conjunto bem combinado de características. Imagine um retrato seu  em que olhos e boca estivessem pintados de forma artisticamente irrepreensível mas estivesse faltando o nariz... Seria uma imagem deturpada, mesmo com alguns detalhes bem trabalhados. É isso que acontece com a imagem da Igreja se a catequese cuidar bem de certas dimensões da pastoral e deixar outras no esquecimento. É claro que a catequese tem que educar os catequizandos para uma boa leitura bíblica, um conhecimento da tarefa missionária, uma participação consciente na liturgia e na comunidade. É fácil perceber como uma falha nessas áreas deixaria incompleto o trabalho catequético. Depois de tantos anos trabalhando a ligação entre fé e vida, que era uma preocupação central do documento Catequese Renovada, também se percebe a necessidade de termos, nos materiais catequéticos, uma preocupação com problemas pessoais, comunitários e sociais, como decorrência indispensável do compromisso cristão.
            No meio de tudo isso, porém, não é raro que a dimensão ecumênica seja simplesmente omitida. É como se isso não fizesse parte do conjunto da mensagem, como se fosse uma atividade isolada que somente interessa aos grupos que costumam participar de eventos ecumênicos. Aí fica faltando algo no rosto da Igreja que é apresentado ao público atingido pela catequese, a imagem estará deturpada por estar incompleta. O ecumenismo e o diálogo inter-religioso costumam ser contemplados mais nos materiais e documentos que tratam da dimensão missionária. Isso é compreensível porque os missionários estarão sendo enviados aos que não são cristãos e estarão necessariamente em contato com sistemas religiosos diferentes. Mas hoje, no mundo pluralista em que estamos envolvidos, todo católico precisa saber como a sua Igreja deseja que aconteça o relacionamento com os que pertencem a Igrejas ou religiões diferentes. Esse conjunto de pessoas não católicas certamente marca presença na família, no ambiente de trabalho e na vizinhança dos que estão sendo educados na catequese. Além disso, a própria compreensão do mundo exige que as religiões sejam entendidas sem preconceito. O medo aparece quando alguém acha que isso pode ser uma ameaça à construção da identidade católica. Então, é preciso compreender que uma atitude de diálogo ecumênico e de respeito às convicções religiosas de outros faz parte da identidade católica. Não é algo que se faz contrariando a Igreja, é um jeito de por em prática o que a Igreja mesma ensina. É também um aspecto que torna ainda mais bonita a face da nossa Igreja. Saber dialogar é uma grande qualidade e um sinal de maturidade.  E essa maturidade deve ser trabalhada na catequese. Educando para o ecumenismo e para o diálogo inter-religioso  estaríamos formando pessoas capazes de lidar com o diferente também em outras áreas, aprendendo que respeito não significa concordar com tudo nem abrir mão da sua identidade. É difícil perceber como nosso mundo de hoje está necessitando da arte do diálogo amadurecido, firme em relação ao que cremos ser o melhor e, ao mesmo tempo, respeitoso?
 
Therezinha Cruz 

Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso

Quando falamos dos outros, revelamos quem somos

Um material de formação pedagógica traz uma frase sobre a qual deveríamos meditar com cuidado. É assim: “Quando João fala de Pedro, ficamos sabendo mais a respeito de João do que de Pedro.”  E não é verdade? João pode até estar dizendo algo que não é verdadeiro a respeito de Pedro mas, ao falar, revela suas idéias, as atitudes que valoriza, seus preconceitos ou sua capacidade de acolher o outro.
            Por isso fico muito contente quando vejo que esforços a favor do ecumenismo e do diálogo inter-religioso estão incentivados nos nossos documento e se tornam visíveis em tantas atividades dentro da nossa Igreja. Eles me dizem coisas bonitas sobre a nossa maturidade católica. Nossa Igreja sabe bem que, sendo a maior e a que tem uma tradição mais solidamente ligada à herança apostólica, a ela cabe uma responsabilidade especial de trabalhar pela unidade. Curar feridas de tantos séculos é algo que exige maturidade, caridade e, sobretudo, muita fidelidade ao desejo explícito de Jesus. E que bom é podermos ver isso na nossa Igreja!
            O evangelho mesmo nos diz que “a boca fala daquilo de que o coração está cheio” (Mt 12, 34). Então é preciso educar o coração para que as palavras se tornem adequadas para a construção da unidade e da paz. Para isso precisamos de um bom conhecimento dos temas que vamos abordar, seja na catequese, seja em nossas conversas com parentes, amigos, vizinhos.  Nosso Diretório para a Aplicação dos Princípios e Normas sobre o Ecumenismo, elaborado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, nos diz em seu número 61a, como orientação para a catequese :
            Ao falar das outras Igrejas e Comunidades Eclesiais, é importante que se apresente, de forma correta e leal o seu ensinamento. Entre os elementos que constituem a própria Igreja e a vivificam, há muitos e de grande valor, que podem existir para além dos limites visíveis da Igreja católica. O Espírito de Cristo não recusa, pois, servir-se destas comunidades como meios de salvação. Esta atitude põe em evidência as verdades da fé comuns às diferentes confissões cristãs. E isso ajuda os católicos, por um lado, a aprofundar sua fé e, por outro, a conhecer melhor e estimar os outros cristãos, facilitando assim a busca, em comum, do caminho da unidade plena na verdade total.”
            E lembra também no número 61d/e:
            “Além disso, a catequese terá esta mesma dimensão ecumênica se se esforçar por preparar as crianças e os jovens e também os adultos para viverem em contato com outros cristãos, formando-se como católicos e respeitando a fé dos outros.”
            “Pode-se conseguir esta formação discernindo as possibilidades oferecidas pela distinção entre as verdades da fé e as formas de se exprimirem; pelo esforço mútuo de conhecimento e de estima dos valores presentes nas respectivas tradições teológicas; pelo fato de mostrar claramente que o diálogo criou novas relações que, bem compreendidas, podem levar à colaboração e à paz.”
            Tudo isso precisa ser feito com bastante responsabilidade, com uma formação continuada que nos faça discernir melhor o que é busca legítima de unidade e o que é confusão de quem não conhece bem o terreno em que caminha. Mas vale a pena, por muitos motivos: atende ao pedido de Jesus, nos faz conhecer melhor a nossa própria identidade, cria um clima de construção de paz e colaboração fraterna e até comunica uma imagem bonita da nossa tradição católica.
 
Therezinha Cruz

Planejamento Bíblico-Catequético

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fico muito feliz em contribuir, como Igreja de Cristo, para eficiência e eficácia de nossas atividades pastorais, com o desafio de encantar as lideranças no sentido de que planejar bem é um ato de amor a Deus, “O zelo da tua casa me consome” (Sl 68,10). Sinto que alguns colaboradores do Reino, não se empenham, às vezes por desconhecimento de técnicas de planejamento, algumas vezes, também, por negligência, por comodismo: “sempre fiz assim!”, para que suas entregas (ações) sejam cada vez mais eficazes.

Inicialmente, quero apresentar alguns conceitos, que adoto e influenciam na minha carreira profissional, bem como em minha militância cristã. Estou muito à vontade em apresentar o meu pensamento sobre planejamento, porque é a minha expertise (conhecimento que se adquire pelo estudo, experiência e prática; e a capacidade de aplicar o que foi aprendido de forma adequada às solicitações requeridas pela função exercida. É a busca incessante por novas aprendizagens, o autodesenvolvimento e a socialização do conhecimento no meio em que se vive) que estarei partilhando.

O Planejamento será sempre diferente, e o diferente assusta, para muitos chega a ser traumático. Primeiro vem o sonho, a idéia. E acreditando na idéia, vem o desafio e o risco em implantá-la. Às vezes ouvimos: “você é cheio de idéias”, “é melhor não mexer no que está quieto”, “a gente sempre fez assim e sempre deu certo”, “Ah, aterrissa amigo, você sonha muito alto”, são as duchas frias. Mas se estamos bem agasalhados, determinados e confiantes em nosso potencial, seguimos em frente.

Nos próximos artigos, falaremos de conceitos, ferramentas, perfis, indicadores, benchmarking, case, de planejamento. Divulgarei, também, vídeos motivacionais e dinâmicas de grupo para ajudar no entendimento e elaboração dos nossos projetos.

Encerro, agora, com um questionamento: Quando recebemos uma missão de coordenar grupos, movimentos ou pastorais, em nossas paróquias, cobramos uma declaração de expectativas? Apresentamos um programa de ação? Agendamos encontros periódicos para acompanhar e avaliar o programa de ação? Apresentamos relatórios das atividades desenvolvidas? Alimentamos o livro de tombo da paróquia com o histórico das atividades?

Que a alegria do Senhor seja sempre a nossa força. Fiquem com Deus.

Luiz Carlos Ramos

Planejamento

Fazer mais com menos, administrando bem os prazos e os custos.

Segundo a experiência de Ricardo Vargas, um grande especialista em Planejamento e membro do Project Management  Institute, a arte de planejar deve seguir uma sequencia lógica, respondendo as questões fundamentais: para onde vamos? Como chegar lá? Qual o alvo? O que quero colher? O projeto não é algo infinito, ele tem Inicio, Meio e Fim, sendo que o planejador ou líder do projeto, para alcançar o resultado desejado, deve conhecer e respeitar suas restrições: Custos, Prazos, Qualidade, Recursos, que são sempre limitados.

Para Norberto Odebrecht, empresário da construção civil, petroquímicas, etc., em seu livro Sobreviver, Crescer e Perpetuar, o planejamento precisa ser orientado ao mesmo tempo para a eficácia, isto é, para determinar o que é certo; e para a eficiência, isto é, para fazer bem o que é o certo, com o propósito de manter sempre a eficiência a serviço da eficácia.

Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la? (Lc 14,28).

Ou qual é o rei que, estando para guerrear com outro rei, não se senta primeiro para considerar se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? (Lc 14,31).

O Planejamento começa pela declaração de Escopo (Especificação do limite dentro do qual os recursos podem ser utilizados). O escopo deve responder as primeiras perguntas: O que? Para onde vamos? O que queremos fazer? Qual o meu alvo? Após o escopo consolidado, inicia-se a segunda parte com o detalhamento das atividades (como, quem, quando, quanto). Essas duas primeiras partes acontecem antes do evento. Iniciado o evento, a terceira etapa é o acompanhamento e as medições para conferir o planejado x realizado. Um detalhe importante é que, não se deve iniciar o projeto com pendências das etapas anteriores, pois o risco de comprometer os resultados (prazo e custo) seria elevado. Na quarta etapa, vem os registros (históricos), que são muito importantes para o planejamento dos próximos eventos ou para eventos similares.

Penso que seria muito bom nos próximos artigos, exercitarmos cada etapa de planejamento, e poderíamos simular um projeto. Apresento três opções, sendo que a eleita pelos nossos internautas será o nosso laboratório para os ensaios de planejamento. 

1. Programação Anual de Catequese. 
2. Assembleia paroquial.
3. Congresso diocesano de catequese.

Vamos votar na enquete que está no canto superior da barra lateral à direita até 05 de maio 2012, e os próximos artigos de planejamento estarão voltados para o projeto eleito.


Luiz Carlos Ramos da Silva
Catequista – Bacharel em Teologia
Professor no curso de profissional habilitado em planejamento industrial

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SANTO INÁCIO

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martírio célebre no século II foi o de Santo Inácio de Antioquia; no ano 107, no Coliseu de Roma, vítima da perseguição de Trajano (98-117), por ocasião dos gigantescos espetáculos dados por este imperador para comemorar suas vitórias sobre os dácios. Inácio foi condenado juntamente com Rufo e Zózimo.

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"Cristo foi batizado, não para ser santificado pelas águas, mas para santificá-las"

ORE SEM CESSAR

Ore sem cessar!!!

Viva a Nossa Senhora Aparecida.













No dia 12 de outubro, comemoram-se três datas, embora poucos lembrem-se de
todas elas: Nossa Senhora Aparecida, padroeira oficial do Brasil, o Dia das Crianças e o Descobrimento da América. Nosso feriado nacional, no entanto, deve-se somente à primeira data, e, embora a devoção à santa remonte aos idos do século XVIII, só foi decretado em 1980.
Há duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida e no Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em Roma.
Segundo estas fontes, em 1717 os pescadores Domingos Martins García, João Alves e Filipe Pedroso pescavam no rio Paraíba, na época chamado de rio Itaguaçu. Ou melhor, tentavam pescar, pois toda vez que jogavam a rede, ela voltava vazia, até que lhes trouxe a imagem de uma santa, sem a cabeça. Jogando a rede uma vez mais, um pouco abaixo do ponto onde haviam pescado a santa, pescaram, desta vez, a cabeça que faltava à imagem e as redes, até então vazias, passaram a voltar ao barco repletas de peixes. Esse é considerado o primeiro milagre da santa. Eles limparam a imagem apanhada no rio e notaram que se tratava da imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura.
Durante os próximos 15 anos, a imagem permaneceu com a família de Felipe
Pedroso, um dos pescadores, e passou a ser alvo das orações de toda a comunidade. A devoção cresceu à medida que a fama dos milagres realizados pela santa se espalhava. A família construiu um oratório, que, logo constatou-se, era pequeno para abrigar os fiéis que chegavam em número cada vez maior. Em meados de 1734, o vigário de Guaratinguetá mandou construir uma capela no alto do Morro dos Coqueiros para abrigar a imagem da santa e receber seus fiéis. A imagem passou a ser chamada de Aparecida e deu origem à cidade de mesmo nome.

Em 1834 iniciou-se a construção da igreja que hoje é conhecida como Basílica Velha. Em 06 de novembro de 1888, a princesa Isabel visitou pela segunda vez a basílica e deixou para a santa uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis, juntamente com o manto azul. Em 8 de setembro de 1904 foi realizada a solene coroação da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e, em 1930, o papa Pio XI decreta-a padroeira do Brasil, declaração esta reafirmada, em 1931, pelo presidente Getúlio Vargas.
A construção da atual Basílica iniciou-se em 1946, com projeto assinado pelo
Engenheiro Benedito Calixto de Jesus. A inauguração aconteceu em 1967, por oca
sião da comemoração do 250.º Aniversário do encontro milagroso da imagem,
ainda com o templo inacabado. O Papa Paulo VI ofertou à santa uma rosa de ouro, símbolo de amor e confiança pelas inúmeras bênçãos e graças por ela concedidas. A partir de 1950 já se pensava na construção de um novo templo mariano devido ao crescente número de romarias. O majestoso templo foi consagrado pelo Papa, após mais de vinte e cinco anos de construção, no dia 4 de julho de 1980, na primeira visita de João Paulo II ao Brasil.

A data comemorativa à Nossa Senhora Aparecida (aniversário do aparecimento
da imagem no Rio) foi fixada pela Santa Sé em 1954, como sendo 12 de outubro, embora as informações sobre tal data sejam controversas. É nesta época do ano que a Basílica registra a presença de uma multidão incontável de fiéis, embora eles marquem presença notável durante todo ano.

A imagem encontrada e até hoje reverenciada é de terracota e mede 40 cm de
altura. A cor original foi certamente afetada pelo tempo em que a imagem esteve mergulhada na água do rio, bem como pela fumaça das velas e dos candeeiros que durante tantos anos foram os símbolos da devoção dos fiéis à santa. Em 1978, após o atentado que a reduziu a quase 200 pedaços, ela foi reconstituída pela artista plástica Maria Helena Chartuni, na época, restauradora do Museu de Arte de São Paulo. Peritos afirmam que ela foi moldada com argila da região, pelo monge beneditino Frei Agostinho de Jesus, embora esta autoria seja de difícil comprovação.

Seja qual for a autoria da imagem ou a história de sua origem, a esta altura ela pouco importa, pois as graças alcançadas por seu intermédio têm trazido esperança e alento a um sem número de pessoas. Se quiser saber mais detalhes sobre a Basílica e sua programação, visite o site www.santuarionacional.com.br, no qual também é possível acender uma vela virtual. E já que a fé, assim como a internet, não conhece fronteiras, eu já acendi a minha, por um mais paz e igualdade no mundo. Acenda a sua e que
Nossa Senhora Aparecida nos ouça e ilumine o mundo, que está precisando tanto de cuidados.

Além da farta pescaria, muitos outros milagres são atribuídos à Nossa Senhora Aparecida. Veja alguns abaixo:
A libertação do escravo Zacarias
O escravo Zacarias havia fugido de uma fazenda no Paraná e acabou sendo
capturado no Vale do Paraíba. Foi caçado e capturado por um famoso capitão
do mato e, ao ser levado de volta, preso por correntes nos pulsos e nos pés,
e como passassem perto da capela da Santa, pediu permissão para rezar diante
da imagem. Rezou com tanta devoção que as correntes milagrosamente se
romperam, deixando-o livre. Diante do ocorrido, seu senhor acabou por
libertá-lo.

O cavaleiro ateu
Um cavaleiro que passava por Aparecida, vendo a fé dos romeiros, zombou
deles e tentou entrar na igreja a cavalo para destruir a imagem da santa. Na
tentativa, as patas do cavalo ficaram presas na escadaria da igreja. Até
hoje pode-se ver a marca de uma das ferraduras em uma pedra, na sala dos
milagres da Basílica Nova.

A cura da menina cega
Uma menina cega, ao aproximar-se, com a mãe, da Basílica, olhou em direção a
ela e, de repente, exclamou "Mãe, como aquela igreja é bonita." Estava
enxergando, perfeitamente curada.

NILTON

O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Romanos 6:23


TERESA DE CEPEDA Y AHUMADA

TERESA DE CEPEDA Y AHUMADA
Teresa de Cepeda y de Ahumada (nasceu em Ávila em 1515) guiada por Deus por meio de colóquios místicos e por seu colaborador e conselheiro espiritual são João da Cruz (reformador da parte masculina da ordem carmelita, empreendeu aos quarenta anos uma missão que tem algo de incrível para uma mulher de saúde delicada como a sua: do mosteiro de são José, fora dos muros de Ávila, primeiro convento do Carmelo por ela reformado, partiu, carregada pelos tesouros do seu Castelo Interior, para todas as direções da Espanha.